DAENERYS TARGARYEN E O MELHOR MUNDO QUE PODEMOS FAZER...

Estou acabando de assistir, pela décima vez, à melhor série que ja foi feita: Game of Thrones.
Sim, eu sei. Há milhões de pessoas que detestaram o final. Mas as pessoas são assim. Elas adoram detestar coisas e reclamar. 


A verdade, porém, é que por trás das lutas, do sangue e das centenas de belas tetas que a série exibe, Game of Thrones sempre me dá o que pensar. E eu amo coisas que me dão o que pensar.
Vejam o caso de Eddard "Ned" Stark, o lorde de Winterfell. Que melhor exemplo da hipocrisia humana pode haver que esse? O homem se escondeu por toda a vida atrás de uma fachada de honra e dignidade, mas era um mentiroso. Para todos os Sete Reinos, ele era o homem que havia matado em combate sor Arthur Dayne, conhecido como A Estrela da Manhã, o melhor espadachim dos Sete Reinos. Eddard Stark alimentava-se dessa fama, mas foi um amigo dele quem matou Arthur Dayne, pelas costas, quando este estava prestes a acabar com Ned Stark. Além disso, o homem que nunca mentia e que vivia falando em honra, deixou seu melhor amigo, Robert Baratheon, embarcar em uma rebelião contra o Rei Louco, mesmo sabendo que o motivo da rebelião era uma mentira. Supostamente o filho do Rei Louco havia raptado e estuprado Liana Stark, irmã de Ned, prometida em casamento a Robert Baratheon. Mas Liana havia casado em segredo com o seu suposto raptor, por legítima e espontânea vontade. Tudo que Ned Stark queria ao apoiar a rebelião do amigo era uma vingança pessoal, já que o Rei Louco havia assassinado seu pai e seu irmão meis velho. 
Entretanto, não é de Ned Stark que quero falar agora. Quero falar de Daenerys Targaryen.
Daenerys, filha do Rei Louco, quer retomar o Trono de Ferro para "construir um mundo novo". Mas quando chega seu momento de vitória, ela se torna igual a todos os outros. Pior até. Pior do que Tywin Lannister, que havia saqueado, mas não destruído, a capital do império. Pior que Cersei, a rainha que ela combatia, que ao menos não havia destruído toda uma cidade para governar. Daenerys, que começa justiceira e libertadora do povo, acaba uma tirana com sede de sangue que, no seu discurso de vitória para seus soldados, promete libertar todo o mundo. Provavelmente como havia libertado King's Landing, com o fogo de seu dragão.
Daenerys representa, para mim, o espírito de todas as revoluções, de todos os tempos. Elas sempre começam cheias de boas intenções, cheias desse espírito libertador das massas. Mas o poder, ah... O poder encanta. E quando estamos encantados com o poder, nós humanos só pensamos em duas coisas: desfrutar dele e mantê-lo!
No exercício do poder, no seu desfrute, as pessoas fazem os maiores absurdos. Se tem dúvidas sobre isso, pense na ilha de Jeffrey Epstein. Não era só o prazer que levava autoridades, príncipes e bilionários para lá. Era a demonstração do poder. De que serviria ter poder, se não pudessem dar a si mesmos os prazeres que são negados às pessoas comuns?
Entretanto, é quando o poder é ameaçado que os poderosos mostram o seu pior!
Revoluções acabam sempre assim. Os antigos libertadores tornam-se opressores por medo de perderem o poder que conquistaram. E como posso culpá-los se sei que eu faria o mesmo, se estivesse no lugar deles?
Durante décadas fui um devotado marxista. Durante décadas acreditei que poderíamos construir um mundo melhor com outro sistema de produção. Que poderíamos fazer um mundo onde uns poucos não ficassem com toda a riqueza, enquanto o resto ficava com todo o trabalho. Um mundo sem pessoas com dinheiro o bastante para comprar a justiça, enquanto outras sofriam a justiça por não terem nada. 
Esse mundo, é claro, só poderia ser conseguido por uma revolução, já que quem detém o poder hoje não o entregaria facilmente.
Este mundo é impossível, vejo agora. E não é porque não possamos derrubar as classes que hoje estão no poder. Podemos, claro. O problema é que não seríamos nem um pouco melhores que elas. 
Hoje não sou mais um marxista. Não sou, na verdade, nada. Talvez apenas um cínico, totalmente desiludido com a humanidade como um todo.
O melhor mundo que podemos construir é justamente este, o mundo que temos! Porque é ele que merecemos.
Este mundo não é fruto das injustiças sociais, não é fruto do desequilíbrio das posses, não é fruto da exploração de uma classe por outra. Ele é fruto do nosso mau caráter natural, da nossa ganância, da nossa sede de poder.
O Capitalismo seduziu as massas. Se elas não fazem uma revolução para mudar o sistema, para tirar os poderosos, é porque foram convencidas de que um dia serão parte do sistema, estarão também entre os poderosos.
Por que mudar um sistema do qual quero fazer parte? Por que mudar uma estrutura na qual quero estar inserido?
O Capitalismo não nos seduziu por acaso. Seduziu-nos porque é assim que somos, é isso que queremos. Eles nos compraram porque estávamos à venda.
Só isso.



Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

IDEIAS PROFUNDAMENTE ANTIPÁTICAS - Parte 2 - MULHERES TRANS SÃO HOMENS, FISIOLOGICAMENTE FALANDO

IDEIAS PROFUNDAMENTE ANTIPÁTICAS - Parte 1 - EXECUÇÃO SUMÁRIA PARA QUE FURA O SINAL VERMELHO

ANÁLISE DE FILME - CLUBE DA LUTA