IDEIAS PROFUNDAMENTE ANTIPÁTICAS - Parte 4 - SERÁ QUE NINGUÉM É MELHOR QUE NINGUÉM?

Hoje venho desagradar vocês com uma ideia que desafia completamente o senso comum corrente, baseado em um igualitarismo profundamente doentio:

SIM, ALGUMAS PESSOAS SÃO MELHORES QUE OUTRAS!

Isso parece tão óbvio que eu realmente acho estranho ter de enunciar aqui, bem como acho estranho saber que a maioria das pessoas não enxerga isso.




Para entender o que estou falando, vejamos o caso do Senhor X, de 68 anos.

Ele trabahou durante toda sua vida, até aposentar-se. Foi casado com a mesma mulher, amando-a e respeitando-a até que a morte a levou. Teve três filhos, que ele e a esposa educaram bem e hoje são pessoas sérias, trabalhadoras e que cuidam de suas famílias o melhor que podem. Aposentado, o Senhor X cuida de sua casa, de seu jardim, de seu cachorro. Ocasionalmente socorre um dos filhos em alguma apertura financeira, porque os tempos não estão fáceis e ele sempre tem uma pequena poupança, apesar da aposentadoria minguada. Quando os filhos precisam, toma conta dos netos, que ele ama produndamente, lamentando que sua esposa não esteja mais ali para desfrutar da companhia deles. Seus vizinhos o conhecem como uma pessoa simpática e prestativa. Seus amigos o conhecem como alguém leal, sempre pronto a socorrer e a dar uma palavra de apoio. 

Agora, vejamos o caso de Y, de 38 anos. 

Ele não terminou os estudos porque aos doze anos começou a usar drogas. Nunca trabalhou na vida e até bem pouco tempo morava em uma edícula nos fundos da casa dos pais, que o expulsaram de lá depois que ele roubou vários itens deles para vender e comprar drogas. Atualmente dorme nas ruas ou em um albergue da prefeitura. Fez, até agora, cinco filhos, com cinco mulheres diferentes. A maioria delas drogadas em situação de rua, como ele. Os pais de Y foram acionados pelo Ministério Público para pagarem pensão para essas crianças, já que ele não tem trabalho fixo e não pode fazê-lo. Y coleciona passagens pelas delegacias da cidade: bebedeira, desordem, agressão, espancamento de mulheres, posse e venda de entorpecentes. Já cumpriu cinco anos de uma sentença por receptação de mercadorias roubadas. Na cadeia passou a fazer parte de uma facção criminosa.

Pois bem, segundo a doutrina do IGUALITARISMO SOCIAL, o Senhor X está no mesmo nível, como cidadão, que o marginal Y. 

Se você concorda com isso, desculpe dizer, mas você é uma pessoa mentalmente doente.

"Ah, mas ambos são humanos!"

Sim. E isso quer dizer apenas duas coisas: 

  • Eles são iguais do ponto de vista físico-químico, ou seja, seus corpos possuem percentuais muito próximos de carbono, hidrogênio, nitrogênio e outros elementos químicos; e,
  • Ambos devem ser tratados igualmente perantes as leis. 
Estabelecer qualquer outra forma de igualdade entre essas duas pessoas é profundamente incoerente e até ofensivo!

Como se sentirá o Senhor X, pai de família, homem sem mácula no seu comportamento, ao ser nivelado com um marginal como Y? Certamente não se sentirá bem. 

É claro que para Y essa equiparação é positiva. Ele se beneficia dela. É com base nela que o Estado presta ao vagabundo Y a mesma assistência e os mesmos serviços que presta ao Senhor X. Na verdade, presta até mais!

Quando o Senhor X adoece, ele vai na farmácia e compra seus remédios, mas Y vai ao SUS e os recebe de graça... Pagos pelos impostos do Senhor X, por sinal, que trabalhou e contribuiu por toda uma vida para que coisas como o SUS fossem possíveis.

Quando o Senhor X recebe dinheiro, recebe porque trabalhou a vida toda, porque que mereceu essa recompensa por seu esforço e contribuiu a cada mês para juntar dinheiro para a aposentadoria que recebe. Já Y é receptor do Bolsa Família, que ele gasta com drogas, bebida e jogo no mesmo dia que recebe, transferindo dinheiro público diretamente para o bolso de traficantes de drogas e bets.

O Senhor X apoia os netos, dando a eles a mesma educação que deu aos filhos e funcionou tão bem. Quando ele morrer, será uma lembrança saudosa e querida para filhos e netos. O malandro Y faz sexo sem preservativo nas calçadas, à noite, produzindo mais crianças para morrarem nas ruas, passarem fome, viverem doentes e servirem de peso para os pais dele, que já sustentam os filhos que ele fez com o pouco que têm. Quando os pais de Y morrerem os netos que ele fez e continuará fazendo por muitos anos não terão mais qualquer apoio ou sustento.

Não, meus caros amigos e amigas! Considerar essas duas pessoas como iguais é uma distorção torpe do ideal de igualdade perante as leis.

Para entender isso, vamos ver como surgiu esse ideal. Para isso, façamos uma viagem aos tempos da Revolução Francesa.

No Feudalismo, regime político social que aquela revolução atacou e destruiu, as pessoas não eram iguais perante as leis. A desigualdade era determinada pelo nascimento. Na França pré-revolucionária viviam cerca de 14 milhões de pessoas. Dessas, meio milhão pertenciam à nobreza e para essas as leis eram significativamente diferentes. Um nobre, para começar, era juiz e júri em seus domínios. Ele era o magistrado do seu feudo, ficando assim isento de punição por qualquer coisa que fizesse. Já seus camponeses, nascidos plebeus, eram julgados com severidade pelo menor desvio. Um exemplo disso eram as chamadas "regalia minora", ou seja, privilégios menores, como os direitos de caça e pesca. Todos os animais, aves e peixes em uma propriedade feudal eram direito exclusivo do senhor daquela propriedade. Mesmo que ele não caçasse nem pescasse, ainda assim poderia condenar à morte qualquer camponês que matasse um faisão ou pescasse um peixe para alimentar sua família.

Em determinado momento vem o Iluminismo, com seus ilósofos reformadores, que queriam mudar o mundo para melhor. E eles passam a combater esse tipo de tirania, alegando que todos somos humanos e merecemos o mesmo tratamento perante as leis humanas. Nada mais justo! Não há ninguém em sã consciência que se oponha a isso!

Foram séculos de luta até que um povo realmente se revoltasse e exterminasse os direitos abusivos dos nobres. Infelizmente, apenas para dar lugar aos direitos abusivos dos burgueses... Mas esse é um assunto para outro dia!

Com a Declaração dos Direitos do Homem a França revolucionária inaugura uma nova era para a humanidade. Pela primeira vez as leis de um país são reformadas no sentido de eliminar privilégios de uma casta e tentar uniformizar o tratamento dado a todos. Se alguém nascido de "boa família" cometia crime, não podia mais ser inocentado só por seu "sangue nobre". Tinha de pagar, do mesmo jeito que qualquer plebeu.

Foi algo realmente inovador e muito positivo, sem dúvida. Mas...

Infelizmente isso levou à conclusão equivocada de que todos são absolutamente iguais, que "ninguém é melhor que ninguém". E isso, meus caros amigos e amigas, é um erro terrível.

IGUALDADE é uma coisa desejável. IGUALITARISMO ABSOLUTO é uma praga que precisa ser extirpada urgentemente da nossa sociedade.

Que incentivo tem alguém para esforçar-se e para agir bem, quando sabe que será sempre considerado sempre no mesmo social dos criminosos?

Que inventivo alguém terá para mudar de vida e regenerar-se, se sabe que será sempre considerado no mesmo nível dos que continuam cometendo crimes?

Ao tratar todos como absoutamente iguais, a sociedade não consegue melhorar a índole dos que vivem no erro, mas consegue desestimular e ofender todos os que mantém uma conduta ilibada. 

Eu tive filhos nesta vida. Um deles faleceu em 2023, assassinado quando dois criminosos tentavam roubar o carro dele. O outro tem apenas 11 anos e é hoje a razão do meu viver. Vou deixar aqui algumas perguntas para a reflexão de vocês:

  • Meu filho foi morto aos 28 anos. Era um rapaz estudioso e trabalhador. Pretendia casar em dezembro de 2023, se não tivesse sido assassinado em março daquele ano. Estava terminando seu mestrado, já tinha um sólido emprego, não bebia, não fumava e (contrariando a minha tendência de ateu) era até um sujeito religoso. É justo que, em nome do igualitarismo absoluto, a sociedade considere meu menino igual ao marginal que tirou a vida dele, provavelmente para trocar o carro dele por dinheiro para drogas?
  • Eu criei meus filhos com todo o amor e carinho. A qualquer momento de minha vida, depois que eles nasceram, eu daria minha vida pela deles sem hesitar. Em nome do igualitarismo absoluto, é correto colocar-me no mesmo nível do casal Nardonni, que atirou uma garotinha pela janela para a morte?
  • Meus filhos sempre me amaram. Porque fui para eles, apesar dos meus defeitos, o melhor pai que consegui ser. Ainda estou sendo, na verdade, já que meu caçula tem apenas 11 anos e ainda terei de apoiá-lo, educá-lo e sustentá-lo por um longo tempo. Quando estou longe dele, todas as manhãs e todas as noites eu ligo para dar bom dia e para desejar uma boa noite. Em cada ligação meu filho me diz como está com saudades de mim. Seria justo, em nome do igualitarismo social absoluto, colocar meus meninos no mesmo nível de Suzanne von Richthoffen, que assassinou os pais com golpes de barra de ferro e, recentemente, deu gargalhadas em uma entrevista sobre esse assunto?

Não, senhoras e senhores! Diga o que disser a maioria, falem as convenções pós-modernas o que quiserem, mas ALGUMAS PESSOAS SÃO, SIM, MELHORES QUE AS OUTRAS. E quando digo isso, que fique claro, não estou tentando me colocar no patamar das melhores, de modo algum. Estou longe da perfeição do Senhor X acima, mas também muito longe da depravação moral de Y. 

Isso so serve para deixar mais claro que existe, sim, uma gradação moral na nossa sociedade, por mais que repitamos que ninguém é melhor que ninguém. 


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